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8 de Março histórico no Brasil demonstra acúmulo de forças contra perda de direitos

10 March 2017
Dezenas de milhares de mulheres foram às ruas em várias cidades do país. Os atos massivos, além de demonstrarem a força do movimento feminista contra pautas que significam perdas de direitos, representaram uma prévia animadora para as mobilizações do Dia Nacional de Lutas, Paralisação e Mobilização da classe trabalhadora, em 15 de março.

Dezenas de milhares de mulheres foram às ruas em várias cidades do Brasil, em 8 de março, para protestar pelo direito ao aborto, contra a violência de gênero e contra a reforma da Previdência proposta pelo governo Michel Temer. Os atos massivos, além de demonstrarem a força do movimento feminista contra pautas que significam perdas de direitos, representaram uma prévia animadora para as mobilizações do Dia Nacional de Lutas, Paralisação e Mobilização da classe trabalhadora, em 15 de março.

As manifestações contaram com forte e ativa presença de organizações sindicais representantes de trabalhadoras e trabalhadores do setor público, entre elas, muitas afiliadas à Internacional de Serviços Públicos (ISP).

“As mobilizações massivas do Dia Internacional da Mulher no Brasil foram sem dúvida um divisor de águas no acúmulo de forças das lutas contra a reforma da Previdência e a Trabalhista, a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos, a defesa de políticas públicas para as mulheres e por serviços públicos de qualidade”, diz Denise Motta Dau, assessora da ISP Brasil e ex-secretária de Políticas para as Mulheres do município de São Paulo.

As maiores mobilizações ocorreram em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na capital paulista, mais de 30 mil mulheres paralisaram a região central desde às 15 horas. A partir de dois pontos de concentração – um no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na avenida Paulista, puxado por professoras do ensino público; outro na praça da Sé –, duas grandes marchas caminharam alguns quilômetros até se encontrarem. Entre as pautas, figuraram as lutas contra as reformas trabalhista e da Previdência, que prejudicará mais as mulheres do que os homens, o direito ao aborto e o rechaço à violência de gênero.

Em frente ao prédio da Previdência Social, na rua Xavier de Toledo, as manifestantes criticaram a reforma proposta pelo governo por meio de um jogral: “74% das pensionistas são mulheres, a maioria recebe um salário mínimo e com a reforma os benefícios poderão ser pagos em valor inferior ao mínimo. Além disso, quem tem a pensão terá que escolher entre receber ela ou receber sua própria aposentadoria”.

Um pouco antes do início do ato, centenas de mulheres protestaram contra a medida em frente à superintendência do INSS, localizada no viaduto Santa Ifigênia. Promovida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), o ato contou com a participação de sindicatos filiados à ISP, como o Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (SINDSEP) e o Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (SINDSAÚDE/SP).

“Todos os anos, há 30 anos, eu vou para a rua no 8 de Março com companheiras feministas para denunciar a violência contra mulher e exigir a legalização do aborto e do direito aos nossos corpos, mas este ano é diferente porque todas que estão aqui correm o risco de nunca se aposentarem. Vamos lutar contra a reforma da Previdência”, disse à Rede Brasil Atual Junéia Batista, secretária da Mulher Trabalhadora da CUT e presidenta do Comitê Mundial de Mulheres da ISP.

Também à Rede Brasil Atual, a assessora da ISP Brasil Denise Motta Dau afirmou: “No governo federal, Temer acabou com a Secretaria de Políticas para as Mulheres e a Secretaria de Igualdade Racial, que foram conquistas dos trabalhadores. Em São Paulo, [o prefeito João] Doria incorporou a secretaria das mulheres a de direitos humanos, mas ela não está desempenhando seu papel para as mulheres”.

No Rio de Janeiro, o ato reuniu mais de 20 mil mulheres no centro da cidade. A marcha saiu da Candelária e foi encerrada em frente à sede da Assembleia Legislativa do estado, onde militantes leram um manifesto pelos direitos das mulheres.

Em Brasília, mais de 10 mil trabalhadoras do setor público, mulheres parlamentares, militantes de movimentos feministas e sociais ocuparam a Esplanada dos Ministérios especialmente contra a reforma da Previdência.

Também contra a reforma, milhares de mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam ou protestaram em frente às sedes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 35 cidades de 22 estados.

(com informações do Brasil de Fato e da Rede Brasil Atual)